Histórias de Oxum

 

OXUM TRANSFORMA SANGUE MENSTRUAL EM PENAS DE PAPAGAIO

Oxalá tinha três mulheres. A esposa principal era uma filha de Oxum, e como tal era a encarregada de zelar pelos alvos paramentos e pelas ferramentas que usava Oxalá nas grandes celebrações. As outras mulheres invejavam a posição da filha de Oxum e muitas vezes criaram situações embaraçosas para prejudica-la.
Um dia, a filha de Oxum limpava as ferramentas de Oxalá e as deixou ao sol para secar enquanto cuidava de outras coisas. Vieram as duas mulheres e jogaram os objetos do orixá no mar. A filha de Oxum não encontrou as ferramentas do grande orixá e julgou, desesperada, que por conta disso pagaria caro demais. Nem da cama levantou-se no dia da festa, tal o seu estado d'alma.
Sabia que na festa Oxalá haveria de querer usar os seus simbolos. Uma meninazinha que ela criava lhe pediu para que ela levantasse, mas ela se recusou a faze-lo, tão grande o desânimo que a posuia. Foi quando passou na rua um pescador vendendo peixe e a mulher mandou a meninazinha comprar alguns para a festa. Ao abrir os peixes, encontrou as ferramentas dentro deles.
As outras duas não desistiram de prejudicar a rival esposa. No dia da festa, no ponto privilegiado da sala, ocupava seu trono Oxalá. Sentada numa cadeira, à sua direita, encontrava-se a esposa principal, enquanto as duas outras acomodavam-se em cadeiras do lado esquerdo. Aproveitando-se de um momento em que a primeira esposa se ausentou, retirando-se da sala para providenciar a coroa de Oxalá, as duas outras puseram na sua cadeira um preparo enfeitiçado.
No momento em que ela voltou à sala e se sentou, sentiu o assento pegajoso, quente, estranho. Ela sangrava, deu-se conta do horror! Saiu correndo em desespero sabendo que infrigira um tabu do marido. Oxalá indignou-se por ela ter se apresentado diante dele em estado de impureza e a expulsou de casa por quebra de tabu.
A triste esposa correu para casa de sua mãe em busca de socorro. Oxum a recebeu carinhosamente e cuidou dela. Triturou folhas e preparou-lhe um banho na bacia. Banhou seu corpo, lavou o sangue, envolveu-a em panos limpos e a deixou repousando numa esteira sob a sombra de uma árvore.
Quando Oxum tirou a filha do banho, o fundo da água era vermelho e não era sangue, eram penas vermelhas do papagaio-da-costa. No fundo da bacia penas vermelhas estavam depositadas, penas da cauda do papagaio-da-costa, que os iorubás chamam edidé.
Penas raríssimas e muito apreciadas que os iorubás chamam ecodidé. Penas que o próprio Oxalá considerava um riquíssimo objeto de adorno, das quais os caçadores não conseguiam arranjar-lhe sequer um exemplar.
A filha de Oxum passou a ir as festas enfeitada com tais penas e um rumor de que Oxum tinha muitas ecodidés chegou aos ouvidos de Oxalá. Como ele não conseguia as penas de papagaio na mão dos caçadores, foi um dia à casa de Oxum perguntar por elas e surpreendeu-se. Lá estava sua mulher, a filha de Oxum, coberta com as preciosas plumas. Oxalá acabou perdoando a esposa e a levou de volta para casa.
Com a filha reabilitada e Oxalá satisfeito, Oxum completara seu prodígio. Oxalá ornou com uma das penas vermelhas sua própria testa e determinou que a partir daquele dia as sacerdotisas dos orixás, as iaôs, quando nas obrigações deveriam usar o ecodidé enfeitando suas cabeças raspadas e pintadas, pois assim seriam mais facilmente reconhecidas pelos orixás que tomam seus corpos para dançar nas festas.


Oxum é concebida por Iemanjá e Orunmilá

Um dia Orunmilá saiu de seu palácio para dar um passeio acompanhado de todo seu séquito. Em certo ponto deparou com outro cortejo, do qual a figura principal era uma mulher muito bonita. Orunmilá ficou impressionado cm tanta beleza e mandou Exu, seu mensageiro, averiguar quer era ela. Exu apresentou-se ante a mulher com todas as reverências e falou que seu senhor, Orunmilá, gostaria de saber seu nome. Ela disse que era Iemanjá, rainha das águas e esposa de Oxalá.
Exu voltou à presença de Orunmilá e relatou tudo o que soubera da identidade da mulher. Orunmilá, então, mandou convidá-la ao seu palácio, dizendo que desejava conhecê-la. Iemanjá não atendeu o seu convite de imediato, mas um dia foi visitar Orunmilá.
Ninguém sabe ao certo o que se passou no palácio, mas o fato é que Iemanjá ficou grávida depois da visita a Orunmilá. Iemanjá deu a luz a uma linda menina. Como Iemanjá já tivera muitos filhos com seu marido, Orunmilá enviou Exu para comprovar se a criança era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo. Se a menina apresentasse alguma marca, mancha ou caroço na cabeça seria filha de Orunmilá e deveria ser levada para viver com ele.
Assim foi atestado, pelas marcas de nascença, que a criança mais nova de Iemanjá era de Orunmilá. Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos.
Por isso cresceu cheia de vontades e vaidades, o nome dessa filha é Oxum.

Oxum leva ebó ao Orum e salva a Terra da seca.

Uma vez Olodumare quis castigar os homens.
Então levou as águas da Terra para o Céu.
A Terra tornou-se infecunda.
Homens e animais sucumbiram pela sede.
Ifá foi consultado.
Foi dito que se fizesse um ebó.
Com bolos, ovos, linha preta e linha branca,
com uma agulha e com um galo.
Oxum encarregou-se de levar o ebó ao Céu.
No caminho Oxum encontrou Exu
e ofereceu-lhe os fios e a agulha.
Em seguida encontrou Obatalá
e entregou-lhe os ovos.
Obatalá ensinou o caminho da porta do Céu.
Lá chegando, Oxum encontrou um grupo de crianças e repartiu entre elas os bolos que levava.
Olodumare viu tudo aquilo e se comoveu.
Olodumare devolveu à Terra a água retida no Céu
e tudo voltou a prosperar.

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